13 dezembro 2009

Chuva de manga

Escrito e ilustrado por James Rumford. Ed. Brinque-Book.

A história se passa no Chade, país de grande extensão, mas não muito populoso. O título do livro indica um acontecimento que ocorre no país. A chamada "chuva de manga" é a chuva que cai no início do ano e favorece o florecer das mangueiras que, alguns meses depois, estão carregadas de mangas maduras.
As ilustrações e o texto contribuem para que se conheça um pouco sobre o cotidiano em uma aldeia no Chade: diferenças étnicas que podem ser observadas através de diferentes roupas usadas,  o hábito de transportar objetos na cabeça e brinquedo mais comum que é  construído através do reaproveitamento: carrinhos e caminhões feitos de latas, tampinhas de refrigerante, etc..,
O livro traz dois acontecimentos paralelos: Da "chuva de manga" até a colheita da fruta e da coleta de sucata à confecção do carrinho de Thomás.
Destaco que o menino Thomás estuda e podemos ver crianças com cadernos nas mãos e o pai de Thomás lendo jornal. A importância disto está na contribuição para desconstruir a imagem errônea de que em África não se lê, não se estuda. Dia desses ouvi de um aluno de 10 anos: "Professora, lá na África só tem analfabeto. Ninguém lá sabe ler."
Uma dica: o prefácio deste livro traz informações que enriquecem a leitura e ainda um mapa que localiza o Chade no continente africano.
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                           

07 dezembro 2009

O comedor de nuvens

Escrito por Heloísa Pires Lima e ilustrado por Suppa - Ed. Paulinas
É a história de um povo que vive no reino Achanti e que alimentam-se de nuvens coloridas. Todas estão sempre ao alcance. Havia nuvens para todos os gostos e momentos. Mas também havia um glutão que modificou o sabor das nuvens e com isso toda a vida do reino. O céu se elevou ao máximo para proteger as nuvens e com isso o povo agora só aprecia as nuvens de longe, sem poder alcançá-las.
A ideia do uso indevido dos recursos naturais está presente no livro que possibilita uma reflexão sobre a possibilidade de perdermos elementos da natureza que nos são tão caros e que ainda estão ao nosso alcance.
Quanta coisa para pensar... Se quiser pensar. Quanta coisa para discutir... se assim quiser.
A história possibilita reflexão, mas trata tudo com muita delicadeza, sutileza e imaginação.
As ilustrções feitas em giz de cera retratam o colorido das roupas africanas com desenhos de elementos da natureza e figuras geométricas. Traçados fortes e cores quentes.

29 novembro 2009

Que mundo Maravilhoso!


Escrito por Julius Lester e ilustrado por Joe Cepeda. Ed. Brinque-Book.

Professoa, Deus é preto?
Quantas vezes leio esta história para as crianças correspondem ao número de vezes que ouço esta pergunta ao final.
O livro conta uma versão sobre o que aconteceu logo após a criação do mundo. Deus, após contemplar sua obra, recebe críticas de Flora, um anjo encarregado de tudo.
As ideias para a melhoria do mundo vão surgindo a partir das críticas e das ajudas que Deus vai recebendo.
Neste livro, Deus é negro, casado,  e ouve opinião para criação do mundo e o que mais chama a atenção das crianças se refere ao fato de ele ser negro.
Este livro, independente de crença ou religião, além de provocar uma discussão sobre Deus poder ou não ser negro, possibilita uma desconstrução no modo de imaginar a personificação de Deus. Que outras possibilidades? De que outras maneiras ele poderia ser?
Certa vez, ouvi de uma criança negra de uns 9 anos: "Deus não merece ser preto". Discutimos sobre o assunto, mas tal frase me fez ter a certeza da importância de contar muitas e muitas histórias com personagens negros e de que ainda temos muito para desconstruir e reconstruir.

22 novembro 2009

O Rei Preto de Ouro Preto

Texto: Sylvia Orthof. Ilustrações Rogério Borges - Ed. Global
De forma poética a autora conta sua versão para a história do líder Chico Rei. Um passeio pela História que começa em África e vem para o Brasil  através dos versos e das imagens. O livro fala de luta, de liberdade, resistência.
Um aluno sempre que o livro estava para empréstimo na sala costumava pegar este livro. Um dia quis saber o motivo de ele sempre querer ler e reler este livro. Ele me disse: "Ele é negro e um pouco mineiro como eu."

14 novembro 2009

O cabelo de Lelê


Lelê é uma menina negra que inicialmente, não gosta de seus cabelos cheios de cachinhos, mas ao ler no livro sobre o continente africano descobre através da leitura sobre sua ascendência. E não tem como... Passa a gostar mais de si mesma e principalmente de seus cachinhos.
A questão abordada no livro vai ao encontro do que objetiva a lei 10.639/03, pois conhecer a história do negro e da África contribui para elevar a autoestima e também para maior compreensão sobre as diferenças étnicas sem preconceitos, sem racismos.
O texto é de Valéria Belém e as ilustrações são de Adriana Mendonça.  Companhia Editora Nacional

08 novembro 2009

Aída


"Pricesa preta? Eu nunca vi!"
Foi o que ouvi de uma aluna negra de 9 anos quando iniciei a leitura deste livro para uma turma. Como a história não é curta, fiz a leitura em capítulos. Cada dia, lia uma parte. Quando finalizei coloquei o livro na estante junto com os demais que estavam disponibilizados para leitura. A aluna correu, pegou o livro e disse: "Caraca! É princesa mesmo!"
Vi que mesmo eu lendo o livro foi difícil para ela acreditar se tratar de uma princesa preta. Afinal, como são representadas as princesas em boa parte dos livros e filmes?

Baseado na ópera Aída de Giuseppe Verdi este livro é um reconto de Leontyne Price  ilustrado por Leo e Diane Dillon.
O livro conta a história de uma princesa egípcia dividida entre o amor ao seu pai e seu povo e uma paixão por um guerreiro do exército egípicio, inimigo de seu povo.
A beleza das roupas e adornos estão presentes nas ilustrações que têm cores quentes e traços delicados.
Todas as páginas possuem na borda desenho de flores na cor do ouro lembrando objetos da realeza.
Ed. Ática

01 novembro 2009

Bruna e a galinha d'angola

O texto é de Gercilga de Almeida e as ilustrações de Valéria Saraiva. Ed. Pallas
A galinha d'angola é uma ave originária do continente africano. É um símbolo.
Neste texto, dentro da história de uma menina, neta de africana, que conquista amizades depois que ganha um galinha d'angola,  a autora também conta uma história da criação do mundo.
O texto mostra o quanto que se carrega de histórias na memória e o quanto que objetos significativos podem ser fundamentais para o ato de rememorar.
Histórias contagiam e podem trazer transformações. É o que vemos também nesta obra e, muitas vezes, na vida. 

Para os que apreciam atividades de Artes em conjunto com histórias, este livro sugere a arte de modelar o barro e a pintura de tecidos. E por que não colocar em prática?

Fonte da imagem: http://www.pallaseditora.com.br/

26 outubro 2009

Falando Banto


Eneida D. Gaspar escreveu e Victor Tavares ilustrou. Ed. Pallas
O texto verbal é formado por palavras de origem africana que fazem parte do vocabulário brasileiro. São tantas palavras... Umas mais faladas em determinadas regiões do país do que outras, mas muitas, muitas muito conhecidas. São palavras que falamos na escola, na rua, na vida. E quanta vida encontramos nas palavras!
A cada página virada, um poema com um diferente tema.
As ilustrações retratam o movimento da língua, muito presente neste texto, como também movimento que é  tão característico nas culturas africanas.


Fonte imagem: http://www.pallaseditora.com.br/

25 outubro 2009

As panquecas de Mama Panya


Escrito por Mary e Rich Chamberlin e ilustrado por Julia Cairna - Editora SM.
A história que se passa no Quênia fala sobre colaboração, solidariedade e amizade.
Ao sair com a mãe para comprar ingredientes para fazer panquecas (vikaimati), o menino convida amigos vai encontrando pelo caminho. A mãe fica preocupada, pois não tem como fazer panquecas suficientes para todos, já que possui apenas algumas moedas. Mas, para surpresa dela, é a ideia de colaboração que prevalece e possibilita um almoço mais do que suficiente para todos.
O livro traz um mapa situando o Quênia e mostra algumas de suas principais características. Mostra também como é um dia-a-dia no Quênia, alguns animais e plantas e umas palavras em kiswahili, uma das línguas locais. Ao final, uma receita de panqueca.
O livro é, portanto, rico em diferentes aspectos. Além da narrativa que costuma encantar e envolver crianças e adultos, seus complemnetos nos permitem ao leitor, situar-se um pouco mais.
fonte imagem: http://www.edicoessm.com.br/ver_noticia.aspx?id=7923

24 outubro 2009

Ana e Ana


Célia Godoy escreveu e Fê ilustrou a história de duas iramãs gêmeas. O livro aborda sobre a igualdade e a diferença entre as duas e destaca o quanto para as pessoas que as rodeiam elas são  como uma unidade. A autora procura mostrar a singularidade de cada uma da infância à vida adulta.
As meninas são cuidadas pela avó, pois a mãe trabalha fora, o que nos sugere um tipo de formação de família muito comum nos dias de hoje.
Através do texto não verbal é possível perceber que as meninas têm amigos com diferentes características físicas e que a vida delas pode ser considerada confortável.
As irmãs brincam, estudam, crescem e se tornam profissionais das áreas que sempre gostaram.

Obs.: Entre os iorubás, a mãe que tem gêmeos é considerada uma privilegiada pelas divindades. O nascimento de gêmeos é comemorado positivamente. É um grande acontecimento.

Nas religiões de matrizes africanas, conta-se que os primeiros gêmeos foram os Ibejis, filhos de Oxum e Xangô e que deveria ser um sinal, um motivo de culto e veneração. Os gêmeos foram tratatados como deuses infantis.
Ed. DCL

18 outubro 2009

O baú das histórias


Texto (reconto) e ilustração: Gail E. Haley - Ed. Global

As histórias alimentam nossas almas, nossos sonhos...
De onde vieram tantas histórias que ouvimos, lemos, contamos e recontamos e reinventamos?
Um dos contos do continente africano que procura explicar a origem das histórias é o Baú das Histórias.

Esta é mais uma das histórias de Ananse (Anancy ou Tia Nancy) que procuram contar como é que homens ou animais frágeis ou pequenos, por meio da inteligência, superam as dificuldades e vencem grandes obstáculos.

Nesta história, Anase é um homem-aranha que tece uma teia, sobe aos céus e, de volta à Terra, vence os três desafios que lhe são impostos para conseguir o Baú das Histórias que até então pertencia a Nyame, o Deus do céu.

Apesar de toda a sua fragilidade, Ananse se torna um vitorioso e ao abrir o baú na sua aldeia, as histórias se espalham pelo mundo.

As ilustrações em xilogravura trazem o colorido tão característico em culturas africanas.

Iramãos Zulus

O livro inicia com um provérbio Zulu: " A terra, como a chuva, não pertence a ninguém. Deve ser dividida por todos." Penso que assim também são as histórias. Devem ser divididas, compartilhadas...

O livro de autoria de Rogério Andrade Barbosa e ilustrado por Ciça Fittipadi traz a história de três irmãos. Os dois mais velhos saem de casa em busca de fortuna. O mais novo respeita os seres da natureza considerando, por exemplo, a vida de uma formiga tão valiosa quanto a de um ser humano. E é através deste respeito que coloca em prática, que surgem as possibilidades e ajudas necessárias para realizar três tarefas desafiadoras e salvar os irmãos de uma situação complicada.

As ilustrações trazem o colorido africano e a arte dos adordos do povo Zulu.
Ed. Lorousse Junior

26 abril 2009

A semente que veio da África


Textos: Heloísa Pires, Georges Gneka e Mário Lemos - Ilustração: Véronique Tadjo - Editora: Salamandra

Você conhece uma árvore chamada Adansônia? E embondeiro? Talvez conheça pelo nome de Baobá! Vários nomes e uma só espécie com muitas histórias para serem contadas. Este livro traz recontos que falam desta árvore que é um símbolo no continente africano sendo considerada como "a árvore da palavra". É uma árvore gigante na largura e na altura. Aqui no Brasil há algumas destas árvores.
O título dos livro nos remete à esta relação inseparável: África-Brasil. As histórias contidas neste livro trazem muito das tradições africanas como os "griots" e o respeito à sabedoria dos mais velhos.
Uma das histórias contidas no livro traz uma "explicação" para o fato de esta árvore ter os galhos voltados para cima e parecidos com raízes.
Ao final da livro, encontramos fotografias do Baobá em África e no Brasil, seus frutos, flores e crianças brincando com suas sementes.
As ilustrações são desenhos que têm o colorido que estão presentes nas padronagens e artes africanas.

22 março 2009

A menina do feijão suculento

A menina do feijão suculento – texto: Stela Barbieri ilustração: Fernando Vilela - Ed. Escala Educacional.
Tenho lido este livro para várias turmas e as crianças gostam muito.
Ele conta a história de uma menina que mora em um lugar onde as pessoas vivem praticamente da plantação. Um dia, a seca toma conta do lugar. A fome se espalha e com ela mudam as relações entre as pessoas. A comunidade se torna triste e desanimada. A protagonista inventa uma forma de somar e dividir o alimento com a colaboração de todos e com isto se restabelecem as relações interpessoais, o sentido de grupo e de solidariedade.
O tema do livro está relacionado a um dos objetivos do projeto estabelecido pela ONU em 2000: "8 jeitos de mudar o mundo".

Por que ler e oferecer histórias que falem das culturas africanas e com protagonistas negros?


Será que para uma criança faz alguma diferença o contato com livros que contem histórias das culturas africanas e ou que possuam personagens negros com imagens positivas? Será que tais livros podem influenciar na sua maneira de ser e de se ver como negro?
A LDB (Lei de Diretrizes e Bases) alterada pela lei 10.639/2003 legitima o direito de conhecer a história do negro para além da escravidão e aponta a literatura como um dos caminhos para que se trabalhe o tema.


Minha pesquisa de mestrado e a experiência com turmas em escolas têm mostrado que faz muita diferença para a criança negra ou não negra ter contato com histórias nas quais os negros não sejam retratados como infelizes, sofredores, pobres coitados vítimas de maus tratos.
O contato com histórias nas quais o negro tenha vida, sejam seres históricos sociais têm apontado resultados positivos na (re)contrução da autoestima de crianças negras e na maneira como as crianças não negras se relacionam com as crianças negras.
É importante ressaltar que tais histórias não devem aparecer na sala de aula apenas em maio, quando se fala da abolição da escravatura e/ou em novembro quando se fala da Consciência Negra. Estas histórias precisam estar presentes todos os dias como qualquer outra história. Não se trata de substituir uma por outra, mas sim de incluir.
Muitos livros que contam histórias de culturas africanas e ou com protagonistas negros(as) estão sendo publicadas, mas ainda não são muito fáceis de serem encontradas.
Neste espaço, quero poder compartilhar alguns livros que já tive a oportunidade de ler para turmas em escolas e ou disponibilizar para que as crianças lessem. Objetivo também trazer algumas considerações sobre várias publicações.