24 outubro 2009

Ana e Ana


Célia Godoy escreveu e Fê ilustrou a história de duas iramãs gêmeas. O livro aborda sobre a igualdade e a diferença entre as duas e destaca o quanto para as pessoas que as rodeiam elas são  como uma unidade. A autora procura mostrar a singularidade de cada uma da infância à vida adulta.
As meninas são cuidadas pela avó, pois a mãe trabalha fora, o que nos sugere um tipo de formação de família muito comum nos dias de hoje.
Através do texto não verbal é possível perceber que as meninas têm amigos com diferentes características físicas e que a vida delas pode ser considerada confortável.
As irmãs brincam, estudam, crescem e se tornam profissionais das áreas que sempre gostaram.

Obs.: Entre os iorubás, a mãe que tem gêmeos é considerada uma privilegiada pelas divindades. O nascimento de gêmeos é comemorado positivamente. É um grande acontecimento.

Nas religiões de matrizes africanas, conta-se que os primeiros gêmeos foram os Ibejis, filhos de Oxum e Xangô e que deveria ser um sinal, um motivo de culto e veneração. Os gêmeos foram tratatados como deuses infantis.
Ed. DCL

18 outubro 2009

O baú das histórias


Texto (reconto) e ilustração: Gail E. Haley - Ed. Global

As histórias alimentam nossas almas, nossos sonhos...
De onde vieram tantas histórias que ouvimos, lemos, contamos e recontamos e reinventamos?
Um dos contos do continente africano que procura explicar a origem das histórias é o Baú das Histórias.

Esta é mais uma das histórias de Ananse (Anancy ou Tia Nancy) que procuram contar como é que homens ou animais frágeis ou pequenos, por meio da inteligência, superam as dificuldades e vencem grandes obstáculos.

Nesta história, Anase é um homem-aranha que tece uma teia, sobe aos céus e, de volta à Terra, vence os três desafios que lhe são impostos para conseguir o Baú das Histórias que até então pertencia a Nyame, o Deus do céu.

Apesar de toda a sua fragilidade, Ananse se torna um vitorioso e ao abrir o baú na sua aldeia, as histórias se espalham pelo mundo.

As ilustrações em xilogravura trazem o colorido tão característico em culturas africanas.

Iramãos Zulus

O livro inicia com um provérbio Zulu: " A terra, como a chuva, não pertence a ninguém. Deve ser dividida por todos." Penso que assim também são as histórias. Devem ser divididas, compartilhadas...

O livro de autoria de Rogério Andrade Barbosa e ilustrado por Ciça Fittipadi traz a história de três irmãos. Os dois mais velhos saem de casa em busca de fortuna. O mais novo respeita os seres da natureza considerando, por exemplo, a vida de uma formiga tão valiosa quanto a de um ser humano. E é através deste respeito que coloca em prática, que surgem as possibilidades e ajudas necessárias para realizar três tarefas desafiadoras e salvar os irmãos de uma situação complicada.

As ilustrações trazem o colorido africano e a arte dos adordos do povo Zulu.
Ed. Lorousse Junior

26 abril 2009

A semente que veio da África


Textos: Heloísa Pires, Georges Gneka e Mário Lemos - Ilustração: Véronique Tadjo - Editora: Salamandra

Você conhece uma árvore chamada Adansônia? E embondeiro? Talvez conheça pelo nome de Baobá! Vários nomes e uma só espécie com muitas histórias para serem contadas. Este livro traz recontos que falam desta árvore que é um símbolo no continente africano sendo considerada como "a árvore da palavra". É uma árvore gigante na largura e na altura. Aqui no Brasil há algumas destas árvores.
O título dos livro nos remete à esta relação inseparável: África-Brasil. As histórias contidas neste livro trazem muito das tradições africanas como os "griots" e o respeito à sabedoria dos mais velhos.
Uma das histórias contidas no livro traz uma "explicação" para o fato de esta árvore ter os galhos voltados para cima e parecidos com raízes.
Ao final da livro, encontramos fotografias do Baobá em África e no Brasil, seus frutos, flores e crianças brincando com suas sementes.
As ilustrações são desenhos que têm o colorido que estão presentes nas padronagens e artes africanas.

22 março 2009

A menina do feijão suculento

A menina do feijão suculento – texto: Stela Barbieri ilustração: Fernando Vilela - Ed. Escala Educacional.
Tenho lido este livro para várias turmas e as crianças gostam muito.
Ele conta a história de uma menina que mora em um lugar onde as pessoas vivem praticamente da plantação. Um dia, a seca toma conta do lugar. A fome se espalha e com ela mudam as relações entre as pessoas. A comunidade se torna triste e desanimada. A protagonista inventa uma forma de somar e dividir o alimento com a colaboração de todos e com isto se restabelecem as relações interpessoais, o sentido de grupo e de solidariedade.
O tema do livro está relacionado a um dos objetivos do projeto estabelecido pela ONU em 2000: "8 jeitos de mudar o mundo".

Por que ler e oferecer histórias que falem das culturas africanas e com protagonistas negros?


Será que para uma criança faz alguma diferença o contato com livros que contem histórias das culturas africanas e ou que possuam personagens negros com imagens positivas? Será que tais livros podem influenciar na sua maneira de ser e de se ver como negro?
A LDB (Lei de Diretrizes e Bases) alterada pela lei 10.639/2003 legitima o direito de conhecer a história do negro para além da escravidão e aponta a literatura como um dos caminhos para que se trabalhe o tema.


Minha pesquisa de mestrado e a experiência com turmas em escolas têm mostrado que faz muita diferença para a criança negra ou não negra ter contato com histórias nas quais os negros não sejam retratados como infelizes, sofredores, pobres coitados vítimas de maus tratos.
O contato com histórias nas quais o negro tenha vida, sejam seres históricos sociais têm apontado resultados positivos na (re)contrução da autoestima de crianças negras e na maneira como as crianças não negras se relacionam com as crianças negras.
É importante ressaltar que tais histórias não devem aparecer na sala de aula apenas em maio, quando se fala da abolição da escravatura e/ou em novembro quando se fala da Consciência Negra. Estas histórias precisam estar presentes todos os dias como qualquer outra história. Não se trata de substituir uma por outra, mas sim de incluir.
Muitos livros que contam histórias de culturas africanas e ou com protagonistas negros(as) estão sendo publicadas, mas ainda não são muito fáceis de serem encontradas.
Neste espaço, quero poder compartilhar alguns livros que já tive a oportunidade de ler para turmas em escolas e ou disponibilizar para que as crianças lessem. Objetivo também trazer algumas considerações sobre várias publicações.